A música é uma das mais antigas expressões humanas. Enquanto alguns homens das cavernas registravam nas paredes os eventos diários, outros batiam pedras e paus imitando os sons da natureza e se divertiam com isso. Antes mesmo de termos desenvolvido uma linguagem - e olha que não há nada de simples na nossa - a forma mais rudimentar de comunicação dependia da emissão e captação de sons.
O homem, esse animal tão fraco e desengonçado, incapaz de sobreviver na natureza senão em grupo, acabou desenvolvendo formas maravilhosas de existir, de coexistir, de viver.
A música, desde os primórdios, alegra, diverte, distrai... tem o poder de desconectar o ouvinte do seu martírio diário...
"A música é a linguagem dos espíritos. Sua melodia é como uma brisa saltitante que faz nossas cordas estremecerem de amor. Quando os dedos suaves da Música tocam à porta de nossos sentimentos, acordam lembranças que há muito jaziam escondidas nas profundezas do passado. Os acordes tristes da Música trazem-nos dolorosas recordações; e seus acordes suaves nos trazem alegres lembranças. A sonoridade de suas cordas faz-nos chorar à partida de um ente querido ou nos faz sorrir diante da paz que Deus nos concedeu." [Khalil Gibran]
Essa é a minha música de técnica. A que ficou madura antes de todas... a que eu toco prá desestressar, prá aquecer, prá desaquecer, prá exercitar, entre uma peça e outra quando eu estou estudando... o vídeo é caseiro, feito com o iPhone... a qualidade não é das melhores... mas a intenção é apenas contar que essa é uma que me toca a alma.
Imagine-se no início do século XVIII (1716)... a cidade é Leipzig, Alemanha... se vc entrasse numa Igreja, poderia encontrar um jovem senhor, na casa dos 30 anos, absolutamente apegado à técnica, à métrica... um homem profundamente religioso sentado ao órgão executando essa cantata (foram bons nessa forma musical, além desse senhor, Caríssimi e Schütz)... um hino de louvor e de alegria! Este jovem senhor é Bach (Johann Sebastian Bach), autor de algumas das mais belas peças que representam a música clássica (clássica mesmo, do período clássico - falaremos mais disso em outro post). A característica é a perfeição (claro que falta muito prá eu chegar lá, mas vou buscando) que só se alcança com a persistência (penso que algum vizinho há de impetrar um remédio processual qualquer que me proíba de executá-la, pois ouvem centenas de vezes por dia).
O mais curioso prá mim foi saber tratar-se de um coral. Eu amo coral!!
Meu primeiro instrumento foi uma flauta que furtei da Maria Alice (a Maria Esporte), o segundo foi o piano (que tive que abandonar por longos anos) e o terceiro, a voz (cantei em coral durante toda a faculdade de Direito e mais tarde, já em Curitiba, no Coral da Petrobrás, que tive que abandonar, com dor no coração por absoluta falta de tempo).
Fui procurar o coro... espero que se arrepiem, como eu!
FONTES:
MED, Bohumil. Teoria da música. Brasília: MusiMed, 1996
PRIOLLI, Maria Luisa de Mattos. Princípios básicos da música para a juventude. 2º vol. Rio de Janeiro: Casa Oliveira de Músicas, 1980
MASCARENHAS, Mário. 120 músicas favoritas para piano. São Paulo: Irmãos Vitale. p. 123
A PEÇA EXECUTADA:
Johann Sebastian Bach, Leipzig, Alemanha, 1716. Coral final da Cantata "Herz und Muden und Tat und Leben", denominada muito mais tarde como Sonata BWV 147, no catálogo geral das obras de Bach. Popularmente conhecida como "Jesus, Alegria dos Homens".
Executada a partir de partitura facilitada extraída da obra de Mário Mascarenhas acima referenciada.

Nenhum comentário:
Postar um comentário